Eu nunca entendi muito bem o por que de os professores pediram pra gente fazer coisas do tipo relatórios com 1000 palavras. É ridículo!
Cada professor deve ter o que, 5 ou 6 turmas. Cada turma com pelo menos 30 estudantes. Então o mínimo de estudantes em uma semana que um professor tem é 250 estudantes. DUZENTOS E CINQÜENTA! Ni hyaku go jyuu no gakusei! Dweihunderdundfünfzig studentin!
Sem mencionar o seguinte: nós temos mesmo que contar o número de palavras que usamos nos relatórios? Nossos relatórios precisam ter 1000 palavras ou é só um minimo que palavras que os professores pedem pra gente fazer? É tortura. É matematicamente agonizante.
Eu lembro quando eu tive que fazer esses relatórios de tantas-palavras. Olhei pro lado e tinha gente escrevendo um parágrafo e depois contando quantas palavras tinha escrito até ali. Que que é isso? O professor lá, lendo revista, e aposto que nem se incomodou em ler nossos relatórios, nos devolvendo com um “V” vermelho (visto) no topo direito. Grande Áfrida, Fessôr.
É uma questão de o que sabemos sobre a matéria e o quanto temos a dizer. Eu realmente não tenho muito a dizer sobre política pura, governo, Europa, pragas, poluição. Não, de verdade, relatórios sobre essas cioisas seriam apenas um enorme montante dessas opiniões já formadas que tu escuta ou vê na TV, já que não há mais o que dizer.
Pegue poluções como um exemplo. Tu vai culpar os EUA, o Japão e a China por ela. Você vai listar esses países e começar a escrever “porque os EUA não dão bola pra ONU e pro Protocolo de Kyoto”, “Japão mata baleias” e “China não é capitalista e jogou os direitos humanos na lata do lixo”. Porque é isso que as pessoas veem na TV, é isso o que as pessoas leem e é isso o que todos pensam superficialmente.
Agora por que os EUA não dão bola pra ONU e pro Protocolo de Kyoto? Porque é lucrável para eles.
Por que o Japão mata baleias? Porque é lucrável e eles costumavem fazer isso antes que fosse proibido matar baleias. Não é como se eles dissessem “tá, agora que é proibido matar baleias vamos caçá-las afú”.
Por que a China jogou os direitos humanos na lata do lixo? Porque eles não podem mais bancar pessoas.
Então tu tem uma matéria e 1000 palavras, o que tu faz? Dá voltas e voltas, escrevendo a mesma porcaria usando diferentes palavras, ficando confuso com tua própria opinião e opiniões já formadas; aí tu começa a ter idéias sob um ponto de vista completamente diferente e que te faz pensar que pode vir a ser político ou um Presidente. Então quando tu se cansa de contar palvrinhas tu finalmente pára de se preocupar em alcançar 1000 palavras, porque tu de sá conta de que o professor não vai contá-las nos 250 relatórios.
Mas pro professor, 1000 palavras são suficientes para ti falar sobre a matéria, em teoria, estudada, e aí tu tem as tuas próprias idéias na cabeça e então fecha uma conclusão com chave de ouro. É tão fácil ser um professor, anos e anos falando as mesmas coisas e pedindo aos alunos que leia um capítulo de livro e que escrevam um relatório exaustivo.
Às vezes, quanto mais tu fala de algo, pior é a qualidade do trabalho. Às vezes tu tem pouco a dizer, mas as diz com impacto, coisas que os outros param e pensam.
Hoje em dia não podemos parar para ler dissertações enormes sobre algo que não há nada mais a acrescentar. Cheque no Google quantas dissertações sobre aborto tem na internet. Tu vai achar gente falando “é bom, por causa do livre arbítrio e o bebê do estuprador e a mãe menor de idade e os pobres” e gente dizendo “é ruim, porque tu tira uma vida, tu brinca de Deus, porque depois de 18 dias o bebê tem sangue”. O que mais temos a acrescentar? O que mais temos a dizer? As pessoas já falaram tanto sobre isso que hoje em dia falamos de aborto com os amigos, num bar, bebendo cerveja escura Guinness.
Mas não, se os professores de Direitos Humanos na Faculdade de Direito querem ler 250 relatórios sobre aborto, beleza, entretenham-se. O mínimo que eles vão fazer não é ler os ditos cujos, mas sim contar as palavras com o filhinho. Ele está sendo pago para contar palavras e escrever um V com sua caneta Bic vermelha. E o filho dele, bem, o filho dele vai se cansar depois de alcançar a palavra número 65 do primeiro relatório e ir jogar Counter Strike online.
Counter Strike. MEU DEUS! Tenho certeza de quem tem milhares e milhares de dissertações sobre essa bosta de jogo. Qual é, jogo de tirinho é tão old-fash. Já tem Doom, e o Doom pra MS-DOS era o melhor. Mas não, agora tu tem que estar numa guerrrinha imbecil - porque todas as guerras são imbecis bem assim - tendo que matar alemãos, vietnamitas, russos ou outra etnia super ameaçadora. Obviamente tem aqueles que são contra esse jogo doentio e outros que amam esse jogo mas têm medo de pegar uma arma e dar um tiro na própria cabeça.
É claro que estou falando isso tudo porque é chato fazer esse tipo de trabalho para entregar. É ainda mais chato quando o tema não é interessante e ainda mais quando o professor é um daqueles bundões que não sabem ensinar direito. Ah e como tem desses professores ruins.
E convenhamos, uma dissertação sobre métodos dos professores em 1000 palavras seria também um horror. Porque com esses tipos de temas tu não expõe as tuas idéias, tu se preocupa apenas em atingir o número máximo de palavras e garantir uma boa nota.
Pensando ahora, a única coisa ruim sobre esse tipo de trabalho é o trabalho que tu tem par fazer. Porque se tu tem 1000 palavras ao seu dispor, tu pode rasgar em pedaços os métodos dos professores - se este for o tema. Não que 500 ou 50 palavras não fossem o suficiente.
Aliás, este post tem mil palavras.
